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quarta-feira, 14 de março de 2012

Grupo de universitários filia-se ao PT







Quem vê a política como assunto para pessoas mais velhas e, ainda mais, a filiação a partidos políticos como algo do passado precisa conhecer o grupo Alvorada Vermelha. No último domingo, dia 11 de março, 15 jovens assinaram fichas de filiação ao Partido dos Trabalhadores e anunciaram a formação desse novo coletivo dentro do PT.

Criado por estudantes da Universidade de São Paulo no início de 2010, o grupo tem como objetivo “contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, capaz de escrever as linhas de sua própria história”, como consta em seu manifesto.

A formação de um grupo jovem, com perfil universitário, é mais um passo que o Partido dos Trabalhadores dá para a sua renovação. Todos os partidos do Brasil estão envelhecendo e a criação de coletivos como esse prova que ainda existem muitos jovens não apenas interessados em política como dispostos a fazê-la.

O evento, realizado no diretório zonal de Pinheiros, contou com a presença do vereador Carlos Neder, o senador Eduardo Suplicy, o professor André Singer e mais 60 pessoas. Neder falou sobre a importância do ingresso dos jovens e desejou-lhes boas-vindas.

Conheça o blog e o Twitter do Alvorada Vermelha.

Confira outro texto do Blog Carlos Neder sobre a renovação do PT.


Para outras informações sobre o mandato, acesse o site Carlos Neder.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

2012: 80 anos do voto feminino

Reproduzimos, abaixo, o texto "2012: 80 anos do voto feminino", divulgado no site Universidade Livre Feminista, sobre a comemoração dos 80 anos do voto feminino.



Schuma Schumaher*

A conquista do voto feminino resultou de um processo iniciado antes mesmo da proclamação da República. Embora a Constituição de 1891 vetasse o direito de voto aos analfabetos, mendigos, soldados e religiosos, sem mencionar as mulheres, elas ainda tiveram que lutar por mais de 40 anos para conquistar esse direito.

Dois episódios são ilustrativos das resistências usadas pelas mulheres. O primeiro deles aconteceu em 1885 quando a gaúcha Isabel de Sousa Matos, uma cirurgiã dentista requereu o alistamento eleitoral. Seu pedido estava amparado pela Lei Saraiva que garantia o direito de voto aos portadores de títulos científicos. Isabel conseguiu ganhar a demanda judicial em segunda instância. Com o advento da República e a convocação de eleições para a Assembléia Constituinte, Isabel, que na época estava morando no Rio de Janeiro, procurou a Comissão de Alistamento Eleitoral para fazer valer a sua conquista. Diante do fato inusitado de uma mulher pleitear o direito de se alistar, a comissão solicitou um parecer ao Ministro do Interior que fez uma negativa contundente: julgou absolutamente improcedente a reivindicação.

A luta prosseguiu. E foi também de outra Isabel a segunda tentativa. No caso, da baiana Isabel Dillon, primeira a apresentar-se como candidata a deputada na Constituinte de 1891. Ela argumentou que a Lei Eleitoral de 1890 não excluía as mulheres, uma vez que a mesma assegurava o direito de voto aos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever, sem referência explícita ao sexo do eleitor. Ela tonou publica sua candidatura e teve como plataforma eleitoral defender a opção religiosa, a ampla liberdade de pensamento e a aprovação de leis que protegessem a criança, a mulher e o operariado nascente. Não conseguiu sequer se alistar para votar.

Após muitas tentativas isoladas, surgem os primeiros grupos organizados de mulheres como o Partido Republicano Feminino, fundado em 1910 por Leolinda Daltro e outras feministas cariocas. Essa estratégia provocou debates, através de manifestações públicas que criticavam a “cidadania incompleta” das mulheres, gerando polêmicas e reações negativas por parte da imprensa. Contudo, foi a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, e espalhada por diversos Estados brasileiros, a grande responsável pela campanha nacional em favor do voto feminino.

Bertha Lutz, Almerinda Gama, Carmen Portinho, Maria Luisa Bittencourt, Josefina Álvares de Azevedo, Jerônima Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Natércia da Silveira e tantas outras feministas sufragistas constataram na prática, com indignação, que o engajamento nas lutas políticas e suas conquistas no campo da educação eram insuficientes para que os poderes constituídos reconhecessem seus direitos enquanto cidadãs. Lideradas por Bertha Lutz iniciaram um campanha aguerrida em várias frentes e cidades, usando a imprensa, as galerias da Câmara Federal, seminários, debates, manifestações artísticas e até panfletagem aérea, para sensibilizar os congressistas e ganhar a simpatia da população para a causa que defendiam. E conseguiram!

Demonstrando grande habilidade política e capacidade de articular alianças, foram aos poucos, conseguindo adesões em vários estados e espaços. É assim que, em 1927, a Lei Eleitoral do Rio Grande do Norte concede o direito de voto às mulheres norte-rio-grandenses, possibilitando que Celina Guimarães Viana e Julia Alves Barbosa se tornassem as primeiras eleitoras do Brasil e Alzira Soriano a primeira prefeita da América Latina, nas eleições de 1928. Um enorme passo!

Alguns anos depois, em 1931, a FBPF promoveu no Rio de Janeiro o II Congresso Internacional Feminista para discutir os rumos do movimento. O discurso de abertura coube a prestigiada escritora Júlia Lopes de Almeida. As conclusões do Congresso foram encaminhadas ao Presidente Vargas que se comprometeu a empenhar-se pela concessão do voto feminino.

Apesar de Bertha Lutz fazer parte da Comissão encarregada de elaborar o novo Código Eleitoral Brasileiro (1932) teve que enfrentar muitas polêmicas entre os integrantes do grupo, pois os mesmos tinham posições divididas sobre o direito de voto às mulheres. Finalmente, depois de muita pressão, em fevereiro de 1932, o presidente Getúlio Vargas, assina o Decreto nº 21.076, concedendo as mulheres o direito de votar e serem votadas. Finalmente Vitória!

Com a criação do Código Eleitoral de 1932 a atenção das filiadas da FEBP voltou-se para enfrentar outro desafio: promover a candidatura das feministas para a Assembléia Nacional Constituinte de 1933. Entre os 254 votantes, contabilizando os eleitos e os representantes classistas, duas vozes eram femininas: Carlota Pereira de Queiroz, médica eleita por São Paulo e a primeira deputada federal do Brasil; e a advogada alagoana Almerinda Farias Gama, uma das primeiras mulheres negras na política brasileira, na época representando o Sindicato das Datilógrafas e Taquigrafas do Distrito Federal, por intermédio de uma estratégia bem sucedida da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF).

Nas eleições gerais de 1934, a FBPF retornou ao cenário político patrocinando uma acirrada campanha nacional para a eleição de mulheres. As propostas das feministas foram resumidas num documento composto por treze princípios, com questões referentes à maternidade, melhores salários e licença-remunerada, até a discussão do acesso aos cargos públicos.

Pelo Brasil nove mulheres foram eleitas deputadas estaduais: Quintina Ribeiro (Sergipe); Lili Lages (Alagoas); Maria do Céu Fernandes (Rio Grande do Norte); Maria Luisa Bittencourt (Bahia); Maria Teresa Nogueira e Maria Teresa Camargo (São Paulo); Rosa Castro e Zuleide Bogéa (Maranhão) e Antonieta de Barros por Santa Catarina, destacando-se, ainda, como a primeira deputada negra do Brasil.

Infelizmente este período de exercício da democracia representativa durou pouco. Com o Golpe de Estado, em 1937, Getúlio passou a comandar o país usando a batuta de um regime autoritário. Os parlamentos foram fechados e as ações dos movimentos sociais, inclusive os das mulheres, foram suprimidas.

Nos anos de redemocratização pós 1945, um novo cenário político brasileiro vai se configurando e, diante da conquista do voto para as mulheres, a FBPF vai perdendo seu potencial mobilizador. Nesse período novas organizações de mulheres vão surgir, e na maioria dos casos ligadas aos partidos políticos. Com o golpe de 1964, mais uma vez os movimentos sociais são alvos de perseguição e repressão.

Com a decretação, pela ONU, em 1975, do Ano Internacional da Mulher e a retomada do regime democrático o feminismo ressurge forte e organizado. Contudo, apesar da diversidade e do aumento da participação política das mulheres na sociedade civil, inseridas nos mais diversos campos dos movimentos sociais – direitos das mulheres, combate ao racismo, etnocentrismo, defesa dos direitos reprodutivos, direitos sexuais e dos direitos humanos, ecológico, popular, comunitário e sindical – a sub-representação feminina nas estruturas formais da política permanece, ainda, um dos principais desafios a ser enfrentados pelos países democráticos.

Em âmbito mundial as mulheres representam somente 12% dos assentos parlamentares e ocupam 11% dos cargos de presidência dos partidos políticos. De acordo com cálculos das Nações Unidas, mantido o ritmo atual de crescimento da participação feminina em cargos de representação, o mundo levará 400 anos para chegar a um patamar de equilíbrio de gênero. O Brasil integra o grupo de 60 países com o pior desempenho no que se relaciona à presença de mulheres no parlamento – pouco mais de 10% nos espaços Legislativos. Pois é!

A partir de 1995 com a aprovação da política de cotas que instituiu as normas para a realização das eleições municipais do ano seguinte, determinou-se uma cota mínima de 20% para as candidaturas de mulheres. Dois anos depois a Lei nº. 9504/97 estende a medida para os demais cargos eleitos por voto proporcional - Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas Estaduais e Câmara Distrital - e altera o texto do artigo, assegurando não mais uma cota mínima para as mulheres, mas uma cota mínima de 30% e uma cota máxima de 70%, para qualquer um dos sexos.

Embora a adoção da política de cotas tenha estimulado o movimento de mulheres a organizar atividades destinadas a melhor preparação das candidatas - motivando lideranças feministas a se candidatarem e discutindo plataformas que priorizem as particularidades das mulheres - infelizmente, ainda são insuficientes as mudanças substantivas no cenário político brasileiro.
Por tudo isso, não podemos esquecer das brasileiras do passado, consideradas transgressoras dos costumes sociais e canônicos, que com suas atitudes ousadas e de vanguarda, deram início a uma série ininterrupta de conquistas femininas, resultando há 166 anos atrás no acesso à educação formal, há 80 anos no direito ao voto, há 26 anos na igualdade plena na Constituição Brasileira e há um ano, nas eleições de 2010, concretizaram a presença de uma mulher na Presidência da República.

Nos últimos 80 anos o mundo assistiu a grande mudança na condição das mulheres. De coadjuvantes da história, passaram a protagonizar seus destinos e desejos. Mesmo assim, ainda vivemos numa sociedade dividida em classes sociais, estruturada nas desigualdades de gênero e raça, e assentada em uma cultura política carregada de discriminações e preconceitos. Neste contexto, compreendemos que a justa representação das mulheres na política ainda depende de muita luta e de um sistema político que assegure a participação democrática de todas e todos.

*Schuma Schumaher é feminista, educadora social, co-autora do Dicionário Mulheres do Brasil e Mulheres Negras do Brasil e Coordenadora executiva da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh).


Para outras informações sobre o mandato, acesse o site Carlos Neder.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Por que a Câmara se curva diante de Kassab?


A democracia brasileira, reconquistada a duras penas pela sociedade, se assenta em um sistema político composto pelo equilíbrio entre três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

O que fazer, entretanto, quando esse equilíbrio se desfaz, por ação ou omissão dos próprios agentes políticos que deveriam zelar por ele? Na Câmara Municipal de São Paulo, por exemplo, vereadores se mobilizam para aprovar projetos do Executivo, mas não fazem o mesmo em relação às iniciativas do próprio Parlamento.

“Estranho muito quando convocamos reuniões e sessões para discutir projetos de lei de iniciativa dos parlamentares e vejo que nem os próprios vereadores dão quórum às sessões deliberativas para votarmos projetos de nossa iniciativa”, disse Neder, em pronunciamento na tribuna da Câmara, na última quarta-feira (15/02).

Neder citou a imagem negativa da Casa ante a opinião pública, mas lembrou de diversos projetos que beneficiam a população e sequer chegam ao conhecimento dos paulistanos. Por esse motivo, o vereador voltou a cobrar da Mesa Diretora a realização de sessões específicas para discutir e votar projetos dos parlamentares, para que essas propostas sejam conhecidas e valorizadas. Assista ao vídeo com discurso de Neder, publicado abaixo.

E leia a íntegra do pronunciamento no site do mandato Carlos Neder.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Para que serve o Poder Público?

Reproduzo, abaixo, um texto e um vídeo que denunciam mais um lado do abuso policial absurdo que ocorreu em Pinheirinho.

Diante de denúncias como esta e de tantas outras, com tantas evidências, eu pergunto: para que serve o Poder Público?

Carlos Neder

Pablo, 4 anos: “Mataram o meu cachorro…Foi a polícia"
Por Conceição Lemes

Desde 22 de janeiro, um dolorido lamento ecoa por todos os abrigos onde estão as quase 2 mil famílias expulsas violentamente do Pinheirinho policiais da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal (GCM): “mataram o meu cachorro” .
A ativista Carmen Sampaio já perdeu a conta de quantas vezes já ouviu crianças fazerem o mesmo relato. Durante a desocupação, PMs mataram animais domésticos à bala. Ela ficou mais próxima de Pablo, 4 anos de idade, que viu o seu cãozinho ser assassinado pela PM. Hoje, Carmen me “apresentou” ao seu amigo.
“O Pablo é um menino inteligente, muito bem cuidado pelos pais”, conta-me. “Ele continua brincando, só que, de repente, diz ‘mataram o meu cachorro’. Às vezes está comendo ou conversando com alguém, para e sem ter por que repete ‘mataram o meu cachorro’. ”
Nem agora, após terem tido as casas e os pertences destruídos por ordem do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), e da juíza Márcia Loureiro, os ex-moradores do Pinheirinho são deixados em paz.
A Prefeitura de São José dos Campos e o governo do Estado de São Paulo continuam agindo, agora para expulsá-los dos abrigos. Clima de terror reina. PMs andam armados pelos espaços, espalhando pavor e medo nos despejados em geral, especialmente nas crianças.
Apesar de muitas terem tido os seus animais de estimação mortos por PMs, os pais têm medo de falar, pois a intimidação é escancarada. Mas o pai de Pablo deu autorização para Carmen gravar este depoimento.

Assista-o, por favor.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

32 anos do PT: Para lembrar Mário Pedrosa

Em comemoração aos 32 anos do PT, reproduzimos abaixo texto de Paulo Skromov (*) sobre Mário Pedrosa, fundador do PT e dono da ficha de filiação número 1.




Eis uma foto rara e preciosa, que mostra Mário Pedrosa no ato de filiação ao PT, em 10 de fevereiro de 1980 (Eu, na foto, pareço distraído, olhando de lado, mas, na verdade, estava feliz em poder viver aquele momento histórico) . Filiações como essa, como a de Antonio Cândido, Sérgio Buarque de Holanda, e, Paulo Freire, arrastaram muitas outras rachando virtuosamente a intelectualidade que naquele momento iludia-se com os rompantes aparentemente criativos de FHC.

Mário Pedrosa, filiado número um do PT, foi o intelectual brasileiro que, mais que qualquer outro, marcou o século vinte . Procurem ler sobre ele. Em 1927, com 27 anos, ele, militante do PCB, viajou para a União Soviética. Queria conhecer Trotsky e outros líderes bolcheviques pessoalmente. Mas adoeceu no meio do caminho, na Alemanha, onde companheiros da esquerda do PC Alemão aconselharam-no a não seguir adiante, relatando-lhe que com a morte de Lenin (assassinado por Stalin, segundo Krupskaia, esposa de Lenin). Iosif Dzhugashvil - Stalin tomara de assalto o poder e desencadeava ofensiva repressiva e desmoralizante contra os principais dirigentes da Revolução de Outubro.

Voltando ao Brasil, Pedrosa, reuniu um núcleo que logo depois formaria a Oposição de Esquerda do PCB, fato que lhe valeu a expulsão do Partido, que não mais tolerava tendências.Aos 35 anos, participou ativamente dos confrontos com os integralistas (fascistas brasileiros) na Praça da Sé, onde na mais dura batalha de rua, saiu ferido a bala. Exilado durante a ditadura Vargas, foi para os EUA, onde ajudou na mobilização para que Trotsky a obtivesse asilo no México. Tornou-se interlocutor do grande líder russo, frequentando sua casa/bunker no bairro de Coyoacan. Em agosto de 1938, em Périgny, França, participou da fundação da IV Internacional, sob o pseudônimo Lebrun, sendo eleito para o seu Comitê Executivo. Aos 40 anos foi chamado as pressas para a cidade do México para o enterro de Trotsky, assassinado pelo agente stalinista Ramon Mercader.

Ao retornar ao Brasil, no final da ditadura Vargas, que anistiara os militantes do PCB, Pedrosa reune um grupo de jovens intelectuais, entre os quais Antonio Cândido, Patrícia Galvão, Hilcar Leite e funda o jornal Vanguarda Socialista, que pretendia resgatar os valores revolucionários dos bolcheviques, “conspurcados pela direção stalinista”.

Nos anos 1950, Mário dedicou-se principalmente as artes plásticas e a poesia das quais era o crítico mais respeitado e incentivador. Convivera pessoalmente com grandes muralistas mexicanos Diego Rivera e Frida Kahlo, e com o poeta e escritor surrealista Frances André Breton. As Bienais Internacionais de SP, ganharam qualidade e atração sob sua orientação. A valorização da arte dos chamados povos primitivos e dos internos em Manicômios, foi puxada por Mário Pedrosa. A discussão pública e fraterna que manteve com Celso Furtado foi impressionante pela clareza de ideias, ajudando o grande economista e amigo a melhor entender nossa burguesia e seus limites. (Eu conheci Furtado na casa de M. Pedrosa, em 1979).

Com o golpe de 1964, Pedrosa exila-se no Chile e participa da campanha vitoriosa de Salvador Allende, morto pelos militantes no golpe de 11 de setembro de 1973. No governo Allende, Pedrosa fundou o Museu da Solidariedade e formulou aspectos da política cultural do governo socialista.

Em julho de 1979 participou comigo e com demais sindicalistas criadores do Movimento pelo PT, de nossa primeira reunião pública, em que reunimos uns mil operários na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem.

E na fundação, em 10/02/1980, Mário Pedrosa fez parte da mesa honorária, ao lado de Sérgio Buarque de Holanda (Lélia Abramo e Apolônio de Carvalho) a quem filiara ao Partido, que, por sua vez arrastou depois o filho famoso: Chico Buarque de Holanda.

Em fins de 1981, Mário, mestre e inspirador, meu, de Florestan, de Paul Singer e tantos outros lutadores, faleceu no RJ, sendo enterrado com a bandeira vermelha e ainda sem manchas do PT, como pedira ao seu secretário voluntário Darle Lara.

(*) Paulo Skromov foi presidente do Sindicato dos Coureiros do Estado de São Paulo e participante do movimento sindical brasileiro desde a década de 1960 e um dos articuladores do Partido dos Trabalhadores.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Kassab enterra proposta de novos hospitais



O jornal Metrô News informou nesta quinta-feira (09/02) o adiamento, pela nova vez, da licitação para construção de três hospitais, principal bandeira eleitoral da reeleição do prefeito Gilberto Kassab na área da sáude. Com mais esse adiamento, tornou-se humanamente impossível que esses equipamentos sejam construídos ainda este ano.

Veja a íntegra da notícia abaixo. Leia também a carta de uma moradora da Vila Brasilândia, local que deveria receber um dos hospitais.

Licitação de três hospitais municipais é adiada pela 9ª vez

Por Marcela Fonseca

Anunciado pela Prefeitura em dezembro de 2010, o projeto de Parceria Público-Privada (PPP) na área de saúde que ampliaria o número de leitos em hospitais da rede teve adiada, no último dia 4, de acordo com a publicação no Diário Oficial do Município (DOM), a entrega das propostas e abertura dos envelopes de licitação. O projeto previa a construção de três novos hospitais, em Parelheiros e Capela do Socorro, ambos na Zona Sul, e na Brasilândia, Zona Norte da Capital. Com a criação das três novas unidades, estava prevista a entrega de 550 leitos. Além das novas edificações, o projeto indicava ainda a reforma e ampliação de nove unidades existentes, com o acrescimento de 1024 leitos e quatro centros de diagnósticos de imagem regionalizados. De acordo com o calendário inicial, a entrega e abertura dos envelopes de licitação estava prevista para janeiro de 2011 e o início das obras para março do mesmo ano. No entanto, o processo de entrega das propostas foi adiado novamente. Foi a nona vez. Para a vereadora Juliana Cardoso (PT), que preside a Comissão de Saúde da Câmara Municipal, a Prefeitura não tem expectativa de cumprir a promessa, criando, assim, o que ela acredita ser um plano B. “O prefeito Kassab pretende alugar imóveis e adaptá-los como hospitais de campanha, oferecendo com isso apenas 175 novos leitos, muito pouco para as necessidades de São Paulo e um desrespeito para a população paulistana”, afirmou.

Prefeitura promete 3 hospitais para 2012

Mesmo com o atraso na entrega e abertura dos envelopes do projeto de Parceira Público-Privada (PPP), a Secretaria Municipal de Saúde afirma que os três hospitais incluídos no plano de governo serão entregues até o fim de 2012. Por meio de nota, a Pasta afirmou ainda que os hospitais contarão com mais leitos do que o número inicialmente estabelecido. “Serão 225 leitos distribuídos nas regiões Sul, Leste e Norte da Capital”, informou. Previsto na Agenda 2012 apenas leitos, a secretaria afirma ainda que a Parceria Público-Privada, que engloba 16 equipamentos, não estava prevista como meta de campanha e, portanto, será um projeto concluído após o atual mandato. A Pasta relembrou também que inaugurou dois hospitais municipais entre 2007 e 2008, na Cidade Tiradentes, Zona Leste, e no M’Boi Mirim, Zona Sul.

Como foi dito, um dos hospitais já deveria estar funcionando na Brasilândia, Zona Norte. De lá, a dona de casa Tatiane Ferraz, enviou uma carta expressando a situação do bairro e a indignação dos moradores.

Aniversário da BrasilândiaI Comemorar o quê?

Recentemente Vila Brasilândia fez aniversário, mas o que tem a comemorar? Ou será que foi lembrado pelos gestores públicos ou políticos da região? Só para lembrar: O Hospital de Vila Brasilândia não saiu do papel e parece que ficara tão somente nas promessas de campanha, não é porque é ano eleitoral que esta sendo lembrado e cobrado, e sim, porque é de extrema necessidade para os moradores da região! Qual a lógica de uma necessidade básica como é a construção de um Hospital para os pobres de Vila Brasilândia não sair do papel para se tornar de fato e de direito? Certamente não é a mesma lógica que a Prefeitura usa para distribuir bonança para grandes clubes de futebol ‘’tão carentes’ quanto os pobres de Vila Brasilândia! O que deixa mais enojada nesta historia cruel e perversa é que não há um parlamentar interessado em questionar tal inversão de valores, portanto nada mais apropriado lembra-los e a quem mais possa interessar: para onde foi o $$$$$ do Hospital de Vila Brasilândia?

Assim como maioria das suas metas de governo, o prefeito Gilberto Kassab não cumpriu o que prometeu. É apenas mais uma que vai para a sua coleção. Mas ele esquece, ou finge esquecer, que o povo está de olho e tem memória.